11 de jul de 2012

Você ainda não foi ao túmulo do Jim? Então vá!

Texto da querida radialista, atriz e escritora Angela Reale que saiu no jornal Zero Hora:




Você ainda não foi ao túmulo do Jim? Então, vá!
Estive há pouco em Paris, para mais uma visita ao meu filhão.. Quem tem filhos fora do país arruma sempre uma desculpa para viajar. Paris, como a maioria dos mortais sabe, é uma cidade iluminada de dia e de noite, mil recantos que parecem sair de filmes, praças, monumentos, museus para todos os gostos... Não podemos esquecer de comprar uma baguete, botar debaixo do braço e ir embora. Ah! e tem o Rio Sena, claro! Caminhar pelas suas margens, só observando a vida passar, já é um programão. Sim, mas o que tem a ver o túmulo do título com isso? Tudo começou quando meu outro filho que mora em Londres foi passar uns dias comigo em Paris. Quando chegou, depois de me abraçar, ele disse:
– Mãe, Paris eu conheço, mas tem um lugar que eu preciso ir.
– É? Onde?
– Ao cemitério!
Eu olhei pra ele como quem não está entendendo nada. Mas não demorou muito para cair a ficha.
– Mãe, é o seguinte: o cemitério Père-Lachaise é o mais antigo e mais famoso da Europa. E lá está enterrado o Jim Morrison.
– Ah! E quem é esse guri? – perguntei.
– Pô, mãe, não vai me dizer que tu não sabes quem é o Jim? Não conheces as músicas da banda The Doors? Não é do teu tempo?
Putz, agora ele me pegou bonito!
– Sim, acho que me lembro (ai que triste ser ignorante nesses assuntos musicais), mas e aí? Esse negócio de ir até lá é pra valer?
– Claro. Tu vais ver que sempre tem uma galera por lá. Os fãs vão com garrafas de cerveja, bebem e deixam lá para homenageá-lo.
– É mesmo? Mas que maneira interessante de homenageá-lo.
Então meu filho me explicou o porquê de o nome da banda ser “The Doors” (portas). É que o Jim se inspirou numa frase do William Blake – “Se as portas da percepção forem abertas, as coisas irão surgir como realmente são, infinitas”. E foi aí que eu aprendi mais uma coisa.
– Se é assim, vamos em frente!
Entramos no cemitério pela entrada secundária. É um lugar lindo, com gramados onde as pessoas até fazem piquenique e há muitos famosos enterrados. Cruzamos por túmulos estranhos, acompanhamos um féretro, até avistar um grupo tirando fotos.
– Acho que chegamos – disse meu filho.
– Tem certeza? – perguntei, meio desconfiada. Esse túmulo? Assim, sem graça, meio quebrado, pequeno, sem holofotes, sem música, sem violão? Ah! Sinceramente, eu esperava mais.
Mas daí um guarda apareceu e me pediu pra tirar a garrafa de água, que eu havia colocado sobre outro túmulo. Era o respeito pelos vizinhos do Jim. Tempos atrás, disse-nos o guarda, os fãs apareciam tocando violão, bebendo, fumando e deixando as garrafas vazias em homenagem ao vocalista. Agora é proibido e ele fica lá para impedir alguma manifestação mais emocionada. Então, as long neck que levávamos na mochila ficaram escondidas. Mas o interessante é que os fãs criaram outro método para deixar sua marca – mascar chiclete e colar numa árvore. Não sei se o Jim Morrison gostava de chiclete, mas, por via das dúvidas, também fiz o ritual.
Antes de dar adeus ao nosso amigo ilustre, fizemos uma oração pela alma dele. Que, onde estiver, continue cantando para multidões.

angelareale17@yahoo.com.brANGELA REALE* | *Radialista, de Encantado
Angela Reale 

Um comentário:

angela reale disse...

Valeu amiga! Obrigada pelo carinho.