26 de set de 2012

Dulce Magalhães





"O desafio de fazer uma escolha não é a escolha em si, mas ser capaz de abrir mão de tudo o que não foi escolhido.
Se pudéssemos escolher  e manter também o não escolhido, seria fácil fazer escolhas, não é?
O duro mesmo é a renúncia."

Dulce Magalhães

25 de set de 2012

Arthur Schopenhauer





              "A mulher é o efeito deslumbrante da natureza."
          

Arthur Schopenhauer, filósofo alemão                                                                   

23 de set de 2012

It's not the miles, it's how you live them | Volkswagen Smiles Commercial



Texto de Carlos Merigo:

Volkswagen já utilizou abordagens emotivas antes, portanto, não surpreende que a marca invista nessa singela mensagem. E ainda: sem mostrar um único frame de carro durante os 30 segundos.
Em ordem cronológica, a montadora exibe uma sequência de gargalhadas contagiantes, de bebês a idosos. Assina no final com: “O que importa não são as milhas, e sim como você as vive”.
Existe aí um trocadilho com miles e smiles, que não funciona em português, mas a mensagem pode ser entendida em todas as línguas.
Em tempos nos quais as campanhas publicitárias precisam dizer muito em poucos segundos, e assim tentar desesperadamente chamar a sua atenção, surpreende uma abordagem tão humana.
A criação é da Deutsch LA.
http://www.brainstorm9.com.br/

21 de set de 2012

Oficina de Crônicas- Andréia Cibele da Luz






Oficina de Crônicas

Na verdade é uma desculpa esfarrapada para reunir um monte de gente rara;


Essa gente que escreve... Essa gente rara...

Eles fazem parte de uma “gente” que ainda acredita no amor, na vida, na ética, nas amizades, e acima de tudo no ser humano. Eles ainda têm o brilho no olhar. Choram às vezes, rezam sempre, acreditam em fadas...

O fato de ser acolhido e por nenhum momento julgado, nos faz olhar para o nosso dom da forma mais amorosa que podemos encontrar. Gente que ri... Gente que ensina... Gente com suas dores... Seres de luz.

Luiza Guarezi; Sua sensibilidade a leva a viajar cada texto lido.
Ela ri, fica indignada, se emociona com seu coraçãozinho flutuante. Não sabemos se ela melhor como escritora ou no teatro, de tão intensa que é esta mulher. Suas crônicas nos levam a viagens incríveis e muito engraçadas.

A Silvia já chegou com seu ar invejável de escritora, elegante, onde conseguimos até imaginá-la sentada na mesa em uma noite de autógrafos. Mas às vezes nos confunde com este seu jeitinho de uma adolescente que acaba de escrever seu poema preferido para um amor secreto. Quando começo a ler e sinto que ao meu lado sua atenção está fixa no meu texto, me sinto como uma menina de dez anos em que o professor a coloca lá na frente da sala de aula, para ler a redação que fez. Juro. Chego a suar frio. De tão impressionante que é esta mulher.

Eliziane Nicolao Lobo Pacheco; Seu coração é um albergue aberto todos os dias. Tem pela vida um interesse ávido. Que busca compreendê-la sentindo-a muito. Ama tudo, anima tudo, empresta humanidade a tudo, Sua simpatia e seu jeitinho doce de menina levada, encantou a todos.

Biazio; Esse sopro da juventude foi de grande valia para este grupo. Como um jovem poeta que não quer que a primavera termine nunca, ele com seu bloquinho de anotações, e seu radar nos surpreendeu a cada crônica.

Jo Maciel; Um olhar sempre atento ao novo, ao todo. Na arte, na tinta do quadro, nas palavras escritas, em uma escultura. Tem a capacidade de organizar cada idéia, cada obra prima. Atenta, ela sabe onde comer, aonde ir, o livro que saiu ou a arte que aconteceu...

Izabel; Nossa querida Izabel. Ela nos dá força, ela nos dá asas, ela nos faz acreditar que somos capazes sim. Só de estar ao seu lado, já nos sentimos escritores. Ela é capaz de despertar a parte mais brilhante e luminosa de cada um de nós. O nosso dom!

Quem sabe nunca mais nos encontraremos, quem sabe somos convidados para um evento do Santander, quem sabe eu leia o nome deste moço nas colunas de um jornal, quem sabe eu encontre uma senhora elegante, no banco de uma praça a observar quem será a próxima vítima a que sua história em crônica vai contar.

Como diz “Albert Einstein: Pode ser que um dia tudo acabe... Mas, enquanto houver amizade, construiremos tudo novamente, cada vez de forma diferente. Sendo único e inesquecível a cada momento.

Andréia Cibele

19 de set de 2012

"Namore uma garota que lê - Rosemarie Urquico


Texto encantador, foi fácil  me identificar em muitas palavras, virgulas e páginas! Adorei!




Namore uma garota que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ela também tem problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais. Namore uma garota que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca desde os doze anos.
Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.
Ela é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criado pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro.
Compre para ela outra xícara de café.
Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gostaria ou gostaria de ser a Alice.
É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa.
É que ela tem que arriscar, de alguma forma.
Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo.
Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim. E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois.
Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Exceto as da série Crepúsculo.
Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até porque, durante algum tempo, são mesmo.
Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype.
Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.
Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê.
Ou, melhor ainda, namore uma garota que escreve.

Tradução e Adaptação de Gabriela Ventura)

17 de set de 2012

Borboletas - Mario Quintana


Borboletas





Quando depositamos muita confiança ou expectativas em uma pessoa, o risco de
se decepcionar é grande.

As pessoas não estão neste mundo para satisfazer as nossas expectativas, assim como não estamos aqui, para satisfazer as dela.

Temos que nos bastar... nos bastar sempre e quando procuramos estar com alguém, temos que nos conscientizar de que estamos juntos porque gostamos, porque queremos e nos sentimos bem, nunca por precisar de alguém.

As pessoas não se precisam, elas se completam... não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida.

Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com a outra pessoa, você precisa em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquela pessoa que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente, não é o homem ou a mulher de sua vida.

Você aprende a gostar de você, a cuidar de você, e principalmente a gostar de quem gosta de você. 

O segredo é não cuidar das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas venham até você. 

No final das contas, você vai achar
não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!



16 de set de 2012

Datilografia - Alvaro de Campos


Traço, sozinho, no meu cubículo de engenheiro, o plano,
Firmo o projeto, aqui isolado,
Remoto até de quem eu sou.
Ao lado, acompanhamento banalmente sinistro,
O tique-taque estalado das máquinas de escrever.
Que náusea da vida!
Que abjeção esta regularidade!
Que sono este ser assim!
Outrora, quando fui outro, eram castelos e cavaleiros
(Ilustrações, talvez, de qualquer livro de infância),
Outrora, quando fui verdadeiro ao meu sonho,
Eram grandes paisagens do Norte, explícitas de neve,
Eram grandes palmares do Sul, opulentos de verdes.
Outrora.
Ao lado, acompanhamento banalmente sinistro,
O tique-taque estalado das máquinas de escrever.
Temos todos duas vidas:
A verdadeira, que é a que sonhamos na infância,
E que continuamos sonhando, adultos, num substrato de névoa;
A falsa, que é a que vivemos em convivência com outros,
Que é a prática, a útil,
Aquela em que acabam por nos meter num caixão.
Na outra não há caixões, nem mortes,
Há só ilustrações de infância:
Grandes livros coloridos, para ver mas não ler;
Grandes páginas de cores para recordar mais tarde.
Na outra somos nós,
Na outra vivemos;
Nesta morremos, que é o que viver quer dizer;
Neste momento, pela náusea, vivo na outra…
Mas ao lado, acompanhamento banalmente sinistro,
Ergue a voz o tique-taque estalado das máquinas de escrever.
(Fernando Pessoa)

13 de set de 2012

,,,E Outros Silêncios, Isabel Furini




,,, E Outros Silêncios


,,, vírgulas, vírgulas, vírgulas,
silênciosas vírgulas, gaivotas silentes
fecham a estrada das perguntas sem resposta,
emudecem realidades,
gravam afetos imaginários nos espelhos,
fabulam beijos
e esquecem amores verdadeiros na areia do tempo,
vírgulas, vírgulas, vírgulas, pausas da vida,
farpas de momentos,
soturnas histórias rasgadas em falsas lembranças,
icebergs de reminiscências,
rios que correm pelas artérias dos parágrafos,
vírgulas, vírgulas, vírgulas mentais,
prolongados silêncios do passado,
vírgulas, vírgulas, vírgulas,

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 Isabel Furini no livro ,,, E outros silêncios