24 de dez de 2011

Os braços que envolvem os ombros



Outro dia observei o encontro de duas amigas que não se viam tinha muito tempo. Ao se abraçarem notei que ambas fecharam os olhos, apertando-os. Pareciam querer fazer o tempo parar alguns instantes.

E aí fiquei pensando, que eu mesma quando abraço as pessoas que amo faço o mesmo. E ainda inspiro profundamente, como querendo aspirar a pessoa e tudo aquilo que ela é para mim. Tem coisa mais mágica do que um abraço em quem se quer bem? O mundo pode estar acabando ao nosso redor, mas dentro de um abraço tudo fica bem. Dentro de um abraço encontramos carinho, amor, compaixão, saudade, amizade, proteção, ternura, reconhecimento. Alguns até dizem que pode ser uma terapia, afinal um abraço quentinho leva embora toda tristeza, combate as incertezas e quem sabe até a depressão.

Ele pode ser entre duas ou mais pessoas, como no abraço coletivo, mas também tem o abraço de urso, o abraço padrão, o abraço infantil, o abraço de olho aberto, de olho fechado, o abraço com pegada, o abraço sem jeito, o abraço de despedida.

Um abraço pode demonstrar o quanto a outra pessoa é importante ou especial para você, trocando energia, como se um pouquinho da gente fosse para o outro, substituindo muitas vezes as palavras!

Desejo que vocês possam ser presenteados com alguns abraços gostosos neste fim ano!

Eliziane

18 de dez de 2011

O Natal de Malu -Conto Infantil

Segue conto infantil meu de Natal que foi publicado no blog infantil Bondinho da escritora Isabel Furini:







Um ótimo Natal para todos!
Eliziane



9 de dez de 2011

Pessoas Habitadas-Martha Medeiros



Adoro a escritora gaúcha Martha Medeiros. Recentemente tive a oportunidade de ouvir suas opiniões em um evento chamado “Paiol Literário” que ocorreu aqui em Curitiba.

Segue abaixo um dos seus textos, o qual aprecio enormemente.

"Estava conversando com uma amiga, dia desses. Ela comentava sobre uma terceira pessoa, que eu não conhecia. Descreveu-a como sendo boa gente, esforçada, ótimo caráter. “Só tem um probleminha: não é habitada”. Rimos. É uma expressão coloquial na França — habité — mas nunca tinha escutado por estas paragens e com este sentido. Lembrei-me de uma outra amiga que, de forma parecida, também costuma dizer “aquela ali tem gente em casa” quando se refere a pessoas que fazem diferença.

Uma pessoa pode ser altamente confiável, gentil, carinhosa, simpática, mas se não é habitada, rapidinho coloca os outros pra dormir. Uma pessoa habitada é uma pessoa possuída, não necessariamente pelo demo, ainda que satanás esteja longe de ser má referência. Clarice Lispector certa vez escreveu uma carta a Fernando Sabino dizendo que faltava demônio em Berna, onde morava na ocasião. A Suíça, de fato, é um país de contos de fada onde tudo funciona, onde todos são belos, onde a vida parece uma pintura, um rótulo de chocolate. Mas falta uma ebulição que a salve do marasmo.

Retornando ao assunto: pessoas habitadas são aquelas possuídas, de fato, por si mesmas, em diversas versões. Os habitados estão preenchidos de indagações, angústias, incertezas, mas não são menos felizes por causa disso. Não transformam suas “inadequações” em doença, mas em força e curiosidade. Não recuam diante de encruzilhadas, não se amedrontam com transgressões, não adotam as opiniões dos outros para facilitar o diálogo. São pessoas que surpreendem com um gesto ou uma fala fora do script, sem nenhuma disposição para serem bonecos de ventríloquos. Ao contrário, encantam pela verdade pessoal que defendem. Além disso, mantêm com a solidão uma relação mais do que cordial.

Então são as criaturas mais incríveis do universo? Não necessariamente. Entre os habitados há de tudo, gente fenomenal e também assassinos, pervertidos e demais malucos que não merecem abrandamento de pena pelo fato de serem, em certos aspectos, bastante interessantes. Interessam, mas assustam. Interessam, mas causam dano. Eu não gostaria de repartir a mesa de um restaurante com Hannibal Lecter, “The Cannibal”, ainda que eu não tenha dúvida de que o personagem imortalizado por Anthony Hopkins renderia um papo mais estimulante do que uma conversa com, sei lá, Britney Spears, que só tem gente em casa porque está grávida.

Zzzzzzzzzzz.

Que tenhamos a sorte de esbarrar com seres habitados e ao mesmo tempo inofensivos, cujo único mal que possam fazer é nos fascinar e nos manter acordados uma madrugada inteira. Ou a vida inteira, o que é melhor ainda.” Martha Medeiros

Desejo que vocês encontrem “Pessoas Habitadas” em seus caminhos, pois algumas quando surgem, tem o dom de nos deixar assim também!

Eliziane