4 de dez. de 2012

Natal, Viagens e Fantasias


Encontro de artes sempre é um momento mágico. O Sesc Água Verde reúne no dia doze de dezembro um grupo de pessoas encantadoras e suas produções.

Na literatura, com a organização da escritora Isabel Furini, o livro Natal, Viagens e Fantasias, com prefácio de Marcelo Spalding apresenta minicontos de Alexandra Barcellos, Ana Paula Lemos Pinheiros, Eliziane Nicolao Lobo Pacheco, Fernando Botto, Luciana Souza, Luiza Guarezi, Rodrigo Domit, Susana Arceno Silveira, Silvia Maria de Araújo, Willians R. Mendonça, Adriana Menendez e Sonia Andrea Mazza.

O curador e artista Carlos Zemek trás  pintores e escultores com trabalhos também voltados para o tema do livro, com Alexandre de Paula, Carlos Zemek, Célia Dunker, Dirce Polli, Gustavo Cardoso Melo, Ilia Ruiz, Jeffe Cor, J. Bonatto, Katia Velo, Mercedes Brandão, Neiva Passuello, Sandoval Tibúrcio, Valéria Sípoli, Vavá Diehl,  Jeffe Cor, Rosa Miller. 

O já conhecido e tradicional Coral da Sociedade Thalia também estará presente oferecendo sua voz aos visitantes.

E o Hospital Erasto Gaetner levará os cartões de Natal criados pelas crianças do Projeto Arte na Pediatria, que poderão ser adquiridos no local.

1 de dez. de 2012

Seguindo o Amor - Khalil Gibran



Seguindo o Amor



Quando o amor acenar, siga-o
ainda que por caminhos ásperos 
E quando suas asas o envolverem, renda-se a ele
E quando ele falar a você acredite no que ele diz
Ainda que sua voz possa destroçar seus sonhos
Pois, se o amor coroa, ele também o crucifica
Se o ajuda a crescer, também o diminui
Se o faz subir às alturas
e acaricia seus ramos mais tenros
que tremem ao sol, também o faz descer às raízes
e abala sua ligação com a terra.
Como os feixes de trigo, ele o mantém íntegro.
Debulha-o até deixá-lo nu.
Transforma-o, livrando-o de sua palha.
submeta-o ao fogo para que se transforme em pão
no banquete sagrado de Deus
Todas essas coisas pode o amor fazer
para que conheça os segredos
de seu coração com esse conhecimento,
se torne um fragmento do coração da Vida

Khalil Gibran

28 de nov. de 2012

Casualidades Felizes- F. Carpinejar


Casualidades felizes

Os apaixonados são os únicos que enxergam as casualidades.
Elas não deixam de existir, sempre estão flutuando, voando, pairando entre as aparências, avisando o que temos que fazer e o que podemos fazer.
É como uma rodovia do invisível oferecendo carona. Ou uma frequência de rádio nos informando dos milagres mais próximos. Ou um caixa automático 24h para saques do inconsciente.
Por receio do julgamento, ficamos alheios, indiferentes, céticos.
Mas os acasos não somem, fingimos que somem por conveniência, para dominar nossa vida e transmitir aos outros uma imagem confiável de adulto e responsável.
Só os apaixonados não temem os ruídos e o entremundos. Não desperdiçam as pichações, não procuram estudar exclusivamente o que é encadernado.
Só os apaixonados — estes últimos alunos das coincidências — acreditam em metáforas. Como não sabem o que vai acontecer, esperam tudo. Esperar tudo é o acaso.
Com Alessandra, vivo diariamente a humildade dos sinais.
Estamos tão ligados que não entendo por que nos separaram em dois corpos.
Nossa intuição é conversa. O que ela raciocina, completo. O que desejo, ela completa. O pedido de desculpa vem antes da agressão. A explicação surge antes da pergunta.
É meio maluco conviver nesta hipersensibilidade, mas é muito mais verdadeiro.
Na hora em que Alessandra me entregou uma pedra branca que colheu na ponte Santa Maria Maddalena, na Itália, eu disse um poema de Pascoli: “A água passa, a sombra fica”.
Fui descobrir depois que o verso foi escrito naquela ponte. Eu sequer desfrutava desse dado.
Guardo livros e objetos pessoais numa gaiola, ela incrivelmente repete a excentricidade amorosa e conserva pertences do seu pai também em gaiola vazia.
Quando ela precisa falar comigo, é certo que tocará Tiziano Ferro em minha vizinhança. Funciona melhor do que o SMS. É um ringtone do vento. E, convenhamos, não é comum FM tocar Tiziano.
Somos capazes de, simultaneamente, ler o mesmo texto, comer a mesma comida, escolher o mesmo filme, ainda que distantes, ainda que eu em Porto Alegre e ela em São Paulo.
O apaixonado não tem medo do medo. Para ele, o medo é surpresa.
Fabricio Carpinejar
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